[CRÍTICA] FullMetal Alchemist (live action) #Netflix

Adaptação do anime acerta na caracterização de personagens e Netflix tropeça nos mesmos erros, de novo.

[Vale ressaltar, como o nome sugere, trata-se de uma crítica, o conteúdo a seguir reflete a opinião de seu autor. Sinta-se livre para concordar, ou discordar, total ou parcialmente, o importante é que sua opinião seja expressada com respeito e educação.]

Esta adaptação do Anime e Mangá FullMetal Alchemist é fruto de uma parceria entre Warner Bros Japão e Netflix. O filme conta a história de Edward Eric (Ed), um jovem alquimista, que tenta recupera o corpo de seu irmão Al, para isso, ele busca as mais diversas soluções, e sua principal esperança é depositada num artefato misterioso, a Pedra Filosofal.

A peça conta com algumas qualidades, como a caracterização das personagens e a dublagem brasileira com as vozes dos dubladores do anime. Cada personagem que aparece na tela é facilmente reconhecido pelos fãs. O filme todo parece um grande encontro de cosplays. O mínimo que poderíamos esperar de uma produção japonesa.

Ao contrário da adaptação de Death Note, FullMetal Alchemist mantém a essência de cada personagem, tanto em sua caracterização quanto em seu desenvolvimento. O que prejudica o filme são as atuações. Como disse, tudo parece um encontro de cosplays, mas, as habilidades de atuação de cada ator e atriz parecem um pouco limitadas, e isso fica nítido na maior parte do tempo.

A Direção de Arte e a Fotografia passam a maior parte do filme brigando entre si… Logo no início do filme há alguns planos que a fotografia acertou no enquadramento, mas a direção de arte errou na coloração… Parece que você está assistindo ao filme com um óculos de papel-celofane amarelo. O incômodo é tanto que cansa a visão e causa desconforto. Em vários outros momentos, a coloração das cenas foi utilizada para simular ambientes noturnos ou chuvosos, pelas sombras percebe-se que a ambientação foi toda criada na pós-produção e isso acaba incomodando um pouco.

A trilha sonora é esquecível, diferente do anime. A música que toca no final ajuda a causar alguma comoção, já que a história e atuação em si acabam não sendo o suficiente. Os efeitos visuais são uma inúmera repetição da mesma coisa o tempo todo, e o trabalho com partículas é mais compatível com o que vemos em séries, do que o esperado para um filme. São efeitos já datados, mas, aceitáveis na maioria das cenas, principalmente do só Al (irmão caçula, que teve sua alma alojada em uma armadura), possivelmente, além de ser um dos melhores efeitos visuais, é também uma das melhores atuações, disputando apenas com a personagem Luxuria, que, mesmo tendo diálogos fracos, faz uma boa atuação.

O roteiro do filme não é dos melhores, a história, por motivos óbvios, se passa de forma acelerada, acaba trazendo diálogos expositivos desnecessários, apenas para ressaltar o óbvio, e em alguns momentos, sofre até com algumas incoerências de continuidade. O drama pretendido não é alcançado, os atores não têm o timing da comédia, e com isso, algumas piadinhas passam despercebidas, e o que era pra ser um alívio cômico, acaba parecendo uma fala sem sentido ou um comentário desnecessário. E a brecha para uma possível continuação não é empolgante.

Geralmente o roteiro aposta em uma reviravolta para surpreender o espectador, este, aposta em mais do que isso, as mais relevantes foram 3, e ainda assim, nada que se possa dizer “uau!” E no fim das contas, ainda fica aquele pequeno sentimento de confusão, como se algo tivesse ficado faltando… Talvez as deduções mágicas (estilo L de Death Note o filme), sejam culpadas por isso.

FullMetal Alchemist é uma adaptação liveaction que buscou ser fiel à obra em que se inspirou, ao contrário de Death Note, se apegou à caracterização e ao cânone, porém, o elenco não ajudou, Direção de Arte e Direção de Fotografia não se entenderam, o roteiro foi fraco, não sendo capaz de desenvolver nenhuma personagem satisfatoriamente, criando subtramas que não levaram a lugar nenhum, e apresentando soluções plausíveis, mas o caminho para elas foi facilitado. Este é um filme que presta um fã service, mas dificilmente será assistido duas vezes mesmo pelos fãs da franquia original, e a brecha deixada para uma continuação provavelmente não será explorada.

Ricardo Januário

Um pouquinho geek, levemente nerd, e quando se trata de Pokémon ou Final Fantasy até me considero gamer. Sou um jornalista formado como destaque da turma, amo escrever e compartilhar meu conhecimento e informação com o maior número de pessoas, defendendo a liberdade à informação e cultura.

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