[Crítica] TheWalking Dead episódio 10 da oitava temporada (8×10)

Maquiagem, trilha sonora, atuações intensas e direção criativa salvaram episódio que tinha tudo para ser só um monte de pontas soltas.

[Vale ressaltar, como o nome sugere, trata-se de uma crítica, o conteúdo a seguir reflete a opinião de seu autor. Sinta-se livre para concordar, ou discordar, total ou parcialmente, o importante é que sua opinião seja expressada com respeito e educação.]

Uma coisa que começou a me incomodar em The Walking Dead desde a quinta temporada foi o abuso de episódios focados em núcleo único. Quem não foi dormir querendo saber se o Glenn tinha morrido devorado por uma horda de zumbis e se deparou nas semanas seguintes com episódios que sequer mencionavam o ocorrido, até que de repente, nosso coreano favorito aparece do nada com uma explicação nada plausível. E no episódio 8×10, fomos surpreendidos com múltiplos núcleos, interconexão entre eles, e um único elemento que me causou um leve incômodo: Cada núcleo ser apresentado através de títulos com o nome da principal personagem naquele momento… Um pouco didático de mais, além de parecerem slides de estudantes do ensino médio.

O episódio veio com uma direção de arte criativa, muito além do que foi visto na temporada. A Fotografia colaborou desta vez. A maquiagem? Esta gritante de impressionante e convincente. Os efeitos visuais estavam lá, e cumpriram seu papel muito bem.

Este episódio não avançou a história em direção à tão esperada guerra total, mas, foi tão bem trabalhado, e tão amarradinho, que trouxe de volta a vontade de assistir a série, pois, independente do que vir a acontecer no próximo episódio, estará atrelado a este. Duvida? Veja só: Hilltop: relacionado; Lixão: Relacionado; Rick: Relacionado; Enid: Relacionado… Ótimo trabalho do roteiro e da direção.

Uma coisa que há algum tempo sentíamos falta em TWD eram grandes atuações, pois bem, dessa vez fomos surpreendidos. Rick, ou Andrew Lincon, transbordou sua angústia e o conflito interno, e parece que tudo isso tende a aumentar nos próximos episódios, pois cada ação dele desencadeou uma reação de igual intensidade com cada personagem com quem ele interagia. O Negan é Robin Hood da série, cada vez que aparece, rouba a cena, e dessa vez Jeffrey Dean Morgan, mesmo sem sua clássica curvadinha de costas, sensibilizou todas as vezes em que apareceu, sem a explosão que esperamos de sua personagem, ele mostrou que é um artista completo.

A série nunca foi boa em valorizar personagens secundários, por isso, quando Eric (o companheiro de Aaron) foi morto, praticamente não causou impacto algum… E dessa vez, Aaron e Enid protagonizaram uma cena que teria sido muito mais impactante se a série não os tivesse jogado para escanteio há algum tempo.

Mas, os destaques das atuações foram das mulheres. Michonne e Jadis. Danai Gurira, a nossa samurai preferida transformava cada aparição em um momento único e emocionante. E a direção criativa ajudou muito a compreendermos cada emoção da personagem, mesmo sem diálogos. E a Jadis, o que foi aquilo? Sempre achei que faltava um pouco de tempero na atuação de Pollyanna McIntosh, pois a líder do pessoal do lixão parecia uma sopa insonsa de chuchu, mas hoje isso mudou! Além de entendermos um pouco mais sobre a origem dela e do lixão em si, vimos um Jadis impotente, expulsa à força de sua zona de conforto, tendo que aprender a lidar com sua falta de controle sobre a situação, e aprendendo que faz parte deste mundo pós-apocalíptico, e está tão vulnerável quanto qualquer outro. Pra mim, sem dúvidas, estas duas tiveram as melhores atuações do episódio, e ao lado de Jefrrey Dean Morgan, completam o pódio das melhores atuações da temporada, pelo menos até o momento.

Este foi um episódio que começou parecendo um prato de espaguete, várias pontas soltas em um emaranhado, mas, terminou como deve terminar uma bela garfada da iguaria, tudo juntinho, bem amarrado, fácil de ser engolido, e ainda por cima, suculento! Sem dúvidas, quem perder este episódio ficará perdido nas próximas semanas, então, dê seu jeito e assista pois será um ótimo emprego de tempo, até mesmo para você que não resistiu às enrolações da série até aqui.

Ricardo Januário

Um pouquinho geek, levemente nerd, e quando se trata de Pokémon ou Final Fantasy até me considero gamer. Sou um jornalista formado como destaque da turma, amo escrever e compartilhar meu conhecimento e informação com o maior número de pessoas, defendendo a liberdade à informação e cultura.

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