Do adeus ao Anthem à ressurreição do The Crew: a luta pela preservação digital e o aniversário de 30 anos do VERDADEIRO Duke Nukem.
Se tem uma coisa que a história da tecnologia nos ensina, é que comunidade é poder. Nesta semana, aqui no The Geek News, vamos mergulhar em um dos tópicos mais fascinantes (e polêmicos) da nossa cultura: os jogos “zumbis”. Já parou para pensar no que acontece quando os servidores de um mundo virtual são desligados?
Recentemente, vimos o adeus oficial ao Anthem (sim, a EA finalmente puxou a tomada neste dia 12). Mas, enquanto as empresas enterram seus projetos, os fãs pegam as pás e começam a exumar. O caso do The Crew é emblemático: a Ubisoft tentou até revogar as licenças, mas o projeto The Crew Unlimited provou que o código, quando cai nas mãos de fãs apaixonados, é indestrutível. De Star Wars Galaxies a City of Heroes, os servidores privados são a última linha de defesa da nossa história gamer contra o “obsoleto”.
Durante muitos anos a discussão sobre preservação e pirataria era encarada como algo de menor impacto, pois os jogos estavam sempre aí, em mídia física, muitos deles nas mãos de colecionadores, que cuidavam como podiam de suas mídias; algumas vezes, era possível até encontrar alguns jogos mais antigos perdidos em marketplaces na internet.
Então veio a mídia digital, com a (FALSA) promessa de baratear os preços dos jogos por não exigirem logística complexa, armazenamento e outras questões. Porém, o que vemos são jogos cada vez mais caros, sendo lançados com qualidade inferior, escorados na muleta de atualizações online — muitas vezes não para adicionar novos recursos, mas sim para corrigir problemas. Os preços, que deveriam baixar, se mantiveram e, em muitos casos, aumentaram. O que antes era tratado como positivo agora se tornou uma suposta “vantagem” com entrega imediata, sem burocracias, o que para qualquer um é visto como ponto positivo. Na visão de negócios, nas mãos de empresas de capital aberto, pressionadas por seus acionistas (quase mercenários), se tornou uma ”feature”. Algo que sempre existiu virou um premium, apenas devido à mudança de discurso do marketing.
A briga entre comunidade e indústria explodiu de vez quando Philippe Tremblay, Diretor de Assinaturas da Ubisoft, em uma entrevista ao site GamesIndustry.biz em janeiro de 2024, soltou a infame frase: “Uma das coisas que vimos é que os jogadores estão acostumados a ter e possuir seus jogos. Essa é a mudança de consumo que precisa acontecer. Eles precisam se sentir confortáveis em não possuir seus jogos“.
Foi aí que o movimento Stop Killing Games ganhou mais notoriedade e força com o apoio da comunidade. Liderado por Ross Scott, do canal Accursed Farms, o movimento se popularizou com o encerramento de The Crew pela Ubisoft em 2024. Como o jogo era “apenas online”, ele se tornou totalmente injogável, mesmo para quem comprou o disco físico. Com o objetivo de criar leis (especialmente na União Europeia) que obriguem as empresas a deixar os jogos em um estado funcional (como servidores privados ou modo offline) antes de abandoná-los, o movimento ganhou notoriedade global. Os fãs de todo o mundo passaram a exercer, novamente, uma pressão relevante sobre as empresas, já que nas últimas duas décadas os acionistas estavam dominando o discurso e os jogadores, muitas vezes, pareciam ser ignorados ou vistos apenas como bolsinhas de ouro e loot para serem saqueados.
Na verdade, podemos dizer que o medo das empresas não veio do movimento Stop Killing Games, mas de uma frase que começou a se popularizar na internet, a famosa: “If buying isn’t owning, piracy isn’t stealing”. (Se comprar não é possuir, piratear não é roubar). Como a frase de Tremblay pegou muito mal entre a comunidade gamer, e o Stop Killing Games quer uma proteção legal (não de diversão, mas amparada pela lei), e a indústria vem tratando pirataria como roubo, este contra-argumento parece ter pesado contra muitas empresas que acionam a justiça para proteger suas propriedades contra a pirataria.
Mas sabe que há uma ironia poética nisso tudo? A maioria desses mundos que tentamos salvar a todo custo são universos 3D imersivos. E quando falamos em 3D, o calendário desta semana nos obriga a saudar o rei. No dia 29 de janeiro, comemoramos 30 anos de Duke Nukem 3D. O verdadeiro Duke Nukem Forever. Esqueça aquela novela de 14 anos que foi o título de 2011; para nós, o verdadeiro Duke Nukem Forever é o clássico de 1996. Ele é o jogo que se tornou eterno.
Enquanto a sequência frustrou o público por tentar ser moderna demais e falhar miseravelmente, o Duke 3D definiu o DNA do gênero. Ele não foi o primeiro FPS e nem era “3D real” (aqueles inimigos eram sprites planos, lembra?), mas ele trouxe uma alma e uma interatividade que fazem falta hoje. Ele provou que o 3D não era apenas sobre polígonos, mas sobre estar em um mundo onde você podia explodir uma parede ou usar um mictório. É o querido dos fãs porque não tinha medo de ser politicamente incorreto e tecnicamente audacioso.
Se executivos querem tirar o máximo de nosso dinheiro e nos entregar o mínimo, além de complementar uma renda “passiva” com microtransações ou lançando jogos propositalmente incompletos apenas para faturar com a venda de DLCs, Duke Nukem 3D é o exemplo perfeito do contrário. O jogo sobreviveu 30 anos justamente porque os fãs possuem o código, modificam e o mantêm vivo, sem depender de um servidor da 3D Realms ou da Gearbox estar ligado. Isso mostra que o nosso jogo ETERNO vai viver por muitos e muitos anos, agregando um valor inestimável à marca; seu legado segue preservado e, sem que a empresa precise investir um centavo a mais no marketing, a franquia segue ganhando fãs e sendo conhecida por gamers de diferentes gerações.
Mas dos grandes aniversariantes da semana não temos só Duke Nukem. Vamos ver quem mais está de aniversário pelos próximos dias:
Assoprando as velinhas, além do Duke, temos nesta semana:
- Resident Evil 2 (28 anos): O auge do Survival Horror no PS1 completa quase três décadas de sustos na delegacia de Raccoon City.
- Final Fantasy VII (29 anos): O RPG que apresentou Cloud e Sephiroth ao mundo (versão japonesa) faz aniversário no dia 31.
- Dead Space 2 (15 anos): O horror espacial de Isaac Clarke ainda é, para muitos, o melhor da franquia.
Luz, Câmera e Aniversário! E não é só de bits que vivemos. No cinema e na TV, a semana está estrelada:
- Christian Bale (30/01): Nosso eterno “Cavaleiro das Trevas” faz 52 anos.
- Elijah Wood (28/01): O portador do Um Anel completa 45 anos (o tempo voa, né, Frodo?).
- Olivia Colman (30/01): A realeza das telas também sopra velinhas no mesmo dia que o Batman.
- Paul Newman (26/01): Se estivesse vivo, o lendário ator de The Hustler estaria completando 101 anos hoje.
Preparem o café, ajustem o mouse e fiquem de olho no The Geek News. Esta semana, o nosso guia é a nostalgia, mas o olhar é no futuro da preservação.
Hail to the King, baby!















































































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